11 Perguntas e Respostas

 

É proibido conviver com gatos durante a gestação.
Mito. A toxoplasmose, doença causada por um protozoário encontrado nas fezes dos gatos, pode causar sequelas auditivas, oculares e neurológicas na criança, além de aumentar o risco de aborto. No entanto, com alguns cuidados, as gestantes podem manter contato com os felinos. Recomenda-se que outra pessoa faça diariamente a limpeza das caixas de areia dos gatos. O responsável pela tarefa precisa usar luvas e lavar bem as mãos. Deve-se também evitar carne mal passada e lavar bem frutas e verduras antes de comer. Se for trabalhar no jardim, a gestante deve usar luvas ao lidar com a terra. Isso tudo vale para as grávidas que ainda não são imunes. “Durante os exames do pré-natal, muita gente descobre que já teve toxoplasmose. Se a mulher já teve a doença, não vai ter mais”, afirma a ginecologista Simone Trojan Franco, assessora obstétrica do programa de Gestão de Doenças Crônicas do Fleury.

Não posso pintar os cabelos durante a gestação.
Verdade. O assunto é controverso, mas os médicos recomendam que, na dúvida, se evite o uso de tinturas e a escova progressiva. Essas técnicas usam produtos com substâncias tóxicas, como amônia e benzeno, que podem alterar o funcionamento da tiroide e do sistema nervoso se entrarem em contato com o couro cabeludo. “É uma região vascularizada
e tem absorção”, diz Simone. A pintura de mechas isoladas (com touca) e produtos naturais, como hena, estão liberados depois da 20a semana.

Não posso mais ter filhos depois de um aborto.
Mito. Um aborto espontâneo no primeiro trimestre não é, necessariamente, sintoma de aborto de repetição. “A maioria ocorre por uma causa genética ou alguma alteração que o organismo rejeita. O acompanhamento médico mais concentrado só é fundamental quando a gestante tem três ou mais abortos espontâneos”, explica Simone. Ainda assim, o primeiro trimestre é um período importante, porque o embrião está em formação. A mulher deve evitar o consumo de bebidas alcoólicas, cigarro e alguns medicamentos, especialmente nas primeiras semanas. Mas se a gravidez foi de surpresa e a gestante acabou se descuidando no início do trimestre, não é preciso entrar em pânico. Apesar do risco, a natureza tem mecanismos bastante eficazes de proteção para o bebê. Basta tomar todos os cuidados a partir da descoberta.

Só vou dormir direito no segundo trimestre.
Verdade. O primeiro trimestre é marcado pela sonolência, provocada pela ação dos hormônios e pela lentidão do metabolismo. O sono é forte, fora de hora, e não dá para apelar para o café. “O que se pode fazer é dormir e respeitar o organismo”, recomenda Simone. Já no terceiro trimestre, os hormônios trabalham para que a gestante durma menos. “Acredita-se que seja para a mulher se acostumar mesmo, ficar mais atenta e se preparar para quando a criança nascer”, explica Giovana de Almeida da Silva, coordenadora de enfermagem do programa Gestar, do Fleury. Além disso, fica difícil achar uma posição. Para evitar falta de ar ao dormir de lado, a gestante deve deitar em decúbito lateral esquerdo, para não comprimir a veia cava, que passa à direita.

Sou fumante e basta reduzir o número de cigarros.
Mito. Além de não fumar, a gestante deve evitar ambientes com fumaça de cigarro, que contém substâncias estimulantes que aceleram o batimento cardíaco do feto e diminuem a oxigenação – com isso, a criança pode ter problemas respiratórios. Fumar também aumenta o risco de descolamento da placenta. O ideal é parar antes de engravidar, pois o cigarro interfere na fertilidade e no amadurecimento do óvulo.

Não posso tomar nenhum remédio.
Mito. A gestante não precisa parar de tomar todo e qualquer medicamento. Há uma tabela que os classifica de acordo com o risco para a gestação. Em alguns casos, o benefício supera o risco. Porém, como a tabela é extensa, a recomendação é sempre consultar o médico antes de se medicar. “Como exemplo, anti-inflamatórios não devem, de forma geral, ser ingeridos”. Já o dimenidrinato (Dramin), usado contra enjoos, é aceito.

Ter relações sexuais pode antecipar o parto.
Mito. Se a gestação seguir bem, a mulher pode manter relações sexuais até o último dia. A prática até ajuda o casal a manter a proximidade. Se surgir algum impedimento – sangramento, placenta mais baixa, dilatação precoce –, a gestante descobrirá no pré-natal. “Durante o orgasmo, há contração na parte pélvica, mas ela não é suficiente para desencadear um
parto”, explica Simone. Como o colo do útero fica mais sensível, um pouco de desconforto é normal.

Ingerir mais limão alivia os enjoos.
Verdade. As alterações hormonais e o ritmo mais lento do trato gastrointestinal levam aos enjoos. “A comida demora mais para ser absorvida”, explica Simone. O mal-estar melhora por volta da 12a semana. Até lá, pode-se usar alguns truques. Limão ajuda o estômago a recuperar a acidez. Também é preciso manter o estômago “forrado”, não ficando mais do que três horas sem se alimentar.

Posso dirigir até o dia do parto.
Verdade. A grávida pode dirigir enquanto se sentir bem e confortável. É importante usar o cinto de três pontas corretamente, em torno da barriga, e não passá-lo por baixo do braço ou se sentar sobre ele. O banco deve ficar o mais distante possível do volante, mantendo o conforto na direção. Se a mulher trabalha dirigindo, pode usar almofadas para apoiar a coluna.

Grávida precisa comer por dois.
Mito. “Isso não existe. O ideal é ter uma alimentação balanceada, como todo mundo. Também não é para fazer dieta”, esclarece Simone. A gestante precisa ter, entretanto, alguns cuidados extras, como evitar carnes e peixes crus, café e alimentos muito condimentados. Fibras ajudam no funcionamento do intestino, desde que se beba muito líquido. Vegetais verde-escuros fornecem ácido fólico, que evita malformação do sistema nervoso do bebê. Chás com xantina (mate ou preto) aceleram os batimentos cardíacos e devem ser evitados. Ainda não há um consenso sobre a segurança no uso de adoçantes – portanto, se não houver contraindicações como obesidade ou diabetes, o ideal é que a grávida faça uso moderado de açúcar. Os desejos alimentares são normais. “A gravidez muda o paladar, e pode acontecer de a grávida passar a querer alimentos mais amargos”, explica Simone. Os desejos também podem indicar alguma carência de nutriente, mas isso não é regra. “O desejo não deve ser tomado como um norteador da alimentação da gestante”, afirma.

Devo parar qualquer atividade física.
Mito. Se a mulher já praticava determinada atividade, seu corpo está preparado e ela pode continuar. A medida é o bem-estar. Como o equilíbrio da grávida muda, é preciso ter cuidado com atividades em que ela tenha risco de cair. As mulheres que eram mais sedentárias podem fazer caminhadas e hidroginástica. “Em qualquer caso, é importante conversar com o médico antes de começar uma nova atividade”, lembra Giovana.

 

Fonte:
Revista Fleury
Saúde em Dia - Edição 23