Gravidez em Equilíbrio

 

Para a grande maioria das gestantes, a entrada no segundo trimestre é o momento mais esperado – afinal, náuseas, enjoos e sonolência praticamente desaparecem. O corpo, porém, continua se modificando. Nesse período, a mãe passa a sentir o bebê com frequência, e a relação com o filho fica mais concreta. “É um período de grande importância para o fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê”, afirma a psicóloga Daniele Nonnenmacher, que lembra também a importância de se incluir o pai nessa relação.

Enquanto o casal vai se acostumando com o fato de ser uma família, o organismo feminino continua se alterando. Falta de ar, inchaços nas pernas, azia e até intestino preso podem ser notados por volta do segundo trimestre. O organismo da grávida necessita captar cerca de 20% a mais de oxigênio, por vezes causando sensação de falta de ar (dispneia). Além disso, o corpo ganha até 50% a mais de volume de sangue e, com o excesso, o coração tem de trabalhar mais rápido. “O coração materno passa a bater entre 10 e 15 vezes a mais por minuto”, explica Marco Antonio Borges Lopes, obstetra do Fleury Medicina e Saúde e professor associado da clínica obstétrica da Faculdade de Medicina da USP. Haja fôlego! Mas o cansaço e a falta de ar podem ser minimizados com atividades físicas indicadas para gestantes, sob recomendação médica.

Durante a gestação, também é comum a ocorrência de edema (inchaço) nas pernas. Esse sintoma é geralmente decorrente do aumento da quantidade de sangue circulando, aliada à retenção de sódio, ao aumento da pressão intra-abdominal pelo aumento do útero, ao ganho de peso e à vasodilatação pela ação hormonal. “O uso diário de meia-calça elástica de compressão média, a prática de atividades físicas e, sempre que possível, um repouso no meio da manhã, com as pernas sobre almofadas ou travesseiros, colaboram para diminuir esse sintoma”, orienta o obstetra. Também é recomendável dormir à noite com as pernas elevadas.

Nesse período da gestação, também é importante prestar muita atenção ao que se come. Uma alimentação equilibrada é fundamental para controlar o peso e, principalmente, para que o corpo se adapte às alterações no tempo de digestão – que, em gestantes, pode ser mais prolongado. Assim, é melhor evitar bebidas que aumentam o risco de azia (como cafés e chás pretos) e alimentos muito calóricos e de difícil digestão. O ideal é fracionar as refeições, evitando alimentos que prendem o intestino, pois a motilidade intestinal também fica mais lenta. Alimentos ricos em fibras devem ser sempre os primeiros da lista.

É comum, ao final do segundo trimestre, a gestante passar a sentir dores nas costas. Isso ocorre porque o aumento do abdome faz com que a mulher modifique o seu eixo de gravidade para se manter ereta e andar. “Com isso, há uma sobrecarga da região lombar, causando a chamada lombalgia”, explica o obstetra Marco Antonio Lopes. Para tentar minimizar esse sintoma, o médico indica controle do ganho de peso, fisioterapia, exercícios na água e exercícios de fortalecimento muscular. Os exercícios preventivos são ótimos para enfrentar o último trimestre com mais conforto.

Outra mudança que a gestante nota são os cabelos mais volumosos e brilhantes. Além disso, há modificações na pele, que se estira para acomodar o maior volume corporal. Quanto ao cabelo, nenhuma recomendação especial. Para a pele, o ideal é controlar o peso e usar cremes na prevenção de estrias que podem surgir devido ao estiramento. Mesmo com esses cuidados, elas podem surgir por fatores genéticos.

Manchas escuras no rosto podem aparecer porque os melanócitos (células que dão coloração à nossa pele) trabalham mais durante a gestação. “Daí a necessidade do uso diário de protetor solar adequado a cada tipo de pele”, orienta Lopes. Há também o escurecimento das aréolas dos seios e o surgimento de uma linha vertical na barriga, iniciando na região dos pelos pubianos (e que some após o parto). É a chamada linha nigra. Lopes acrescenta que os hormônios da gestação podem aumentar a oleosidade da pele, exigindo cuidados individuais e atenção ao uso de produtos dermatológicos sem prescrição médica.

As últimas semanas são perfeitas para relaxar.
Que tal curtir o casamento, fazer passeios ao ar livre e dormir sem hora para acordar?

 

Fonte:
Revista Fleury
Saúde em Dia - Edição 23